Cuidados
dentários com seu cavalo
Na natureza, o cavalo é um animal herbívoro
e nômade, com sua dentição altamente
especializada ao pastoreio, onde em suas jornadas
alimentava-se dos diversos tipos de forragens existentes,
proporcionando-lhes assim um desgaste lento e mais
homogêneo.
Com a domesticação foi-lhe
retirada a possibilidade de uma dieta variada, composta
de diversos tipos de alimentos e suas diferentes texturas,
obtidos ao longo das caminhadas diárias, e passam
então a serem criados sob condições
quase constantes de alimentação menos
abrasiva e confinados.
Isso passa então a ser um fator de desgaste dentário
diferente do usual, e abre a possibilidade de alguns
problemas dentários. Soma-se a isso o fato dos
animais agora possuírem funções
ou carreiras esportivas, muitas dessas iniciadas precocemente,
mesmo antes de atingida sua maturidade estrutural fisiológica,
e lembremos ainda, da demanda que a competitividade
nesses eventos incide sobre a intensidade de treinamentos
e performance.
Dessa forma, como mais um cuidado para
com a saúde do cavalo, e no caso do atleta, para
auxílio na performance, a rotina de exames e
procedimentos para a manutenção odontológica
faz-se necessária.
O cavalo como os humanos, possui dois grupos dentários:
os dentes decíduos (dentes de leite) e os permanentes.
Suas trocas ou mudas ocorrem em diferentes períodos,
algumas vezes vários dentes podem estar sendo
trocados ao mesmo tempo causando desconforto, o que
pode influenciar sobre o comportamento do animal.
Um cavalo adulto pode ter de 36 a 42
dentes, e o padrão de mastigação
do cavalo, pode promover, principalmente nos dentes
mais envolvidos na trituração dos alimentos
(molares e pré-molares) um desgaste capaz de
gerar pontas que podem provocar ferimentos na língua
e bochechas.
O desconforto provocado por esses ferimentos pode refletir
sobre a condição corporal do animal e/ou
em sua performance.
Alguns sinais de problemas dentários
ou da cavidade bucal:
· Perda de condição
corporal
· Perda de alimentos pela boca, durante a mastigação
· Dificuldade de mastigação ou
salivação excessiva
· Aumento do tamanho e/ou quantidade partículas
não digeridas nas fezes
· Resistência em executar alguns movimentos,
mascar o freio ou animal que movimenta muito a cabeça
após alguns comandos com as rédeas
· Perda de performance, relutância em paradas,
recuos ou viradas
· Odor desagradável proveniente da boca
ou narinas, ou corrimento sanguinolento provindo da
boca
· Descarga nasal ou edema de face, mandíbula
ou tecidos da cavidade bucal
O fator etário é muito
importante para um bom manejo dentário. Animais
em início de treinamento aos 2 ou 3 anos requerem
um exame odontológico detalhado, para que seu
primeiro nivelamento possa ser procedido, além
da remoção de eventuais caps (ou capas
que são os dentes decíduos que não
se desprenderam durante a troca) pois quando retidos
podem gerar desconforto e infecções por
retenção de alimentos e bactérias.